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ELZA SOARES  
CANTORA E MADRINHA DE BATERIA DA MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL  
   
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Padre Miguel do cóccix até o pescoço  
ELZA SOARES - CANTORA E MADRINHA DE BATERIA DA MOCIDADE  
 
Em 10/02/2010
Por Fábio Fabato e Vicente Magno


Ela é filha de Avelino e Rosária Gomes. E também filha legítima de Padre Miguel. Nascida em um sítio na Estrada da Água Branca, Elza Soares foi lavadeira e se casou muito cedo. Da infância e início da juventude vem a imagem de pobreza, lata d’água na cabeça, pipa, bola de gude. E gravidez. “Casei praticamente criança, de 12 para 13 anos, não tive tempo pra ver de perto o início da Mocidade. Quando se casa criança, não se tem infância, não se tem vida, não se tem nada. E, tão nova, não tinha atrevimento para freqüentar a escola de samba”. No livro de Ruy Castro “Estrela Solitária – Um Brasileiro Chamado Garrincha” (Companhia das Letras, 1995) consta que a cantora nasceu em 1930. Também há registros sobre o nascimento em 1937. Elza prefere deixar de lado qualquer conversa sobre idade.

Ainda criança, foi morar em Realengo, na localidade conhecida como Piraquara. A cantora recorda que sua mãe lavava roupa para o quartel da Polícia Militar que fica nas proximidades. Também foi por Realengo que uma das vozes mais conhecidas da música brasileira começou a despontar. Ela fugia de casa para cantar em um bar na Estrada da Mallet. Foi ganhando espaço. Viúva aos 21 anos e já mãe de quatro filhos, despontou para o sucesso num programa de calouros de Ary Barroso, na década de 50. “Eu vim do planeta fome, seu Ary”, disse ela, encantando a plateia com seu vozeirão rouco.

No carnaval, estreou em 1969, puxando o samba do Salgueiro. Mas a incomodou bastante o fato de estar longe da escola que representava o bairro de origem, sua verdadeira paixão. Por um convite de Dona Ivanoy, destaque da Mocidade, voltou para os braços de sua gente. Estreou na Verde-e-Branco em 1973, no enredo Rio Zé Pereira. Cantou até 1976, dividindo o posto com Ney Vianna em três oportunidades. Em 1974, gravou “Salve a Mocidade”, samba de Luiz Reis, considerado uma das maiores odes já feitas à Mocidade Independente de Padre Miguel. A música fez tanto sucesso que entrou na trilha sonora da novela O Rebu, de Bráulio Pedroso.

De lá pra cá, teve seus altos e baixos, viveu intensamente amores e palcos, mas nunca se esqueceu do rufar dos tambores independentes. Volta em 2010, nos braços do povo que tanto ama, para ser madrinha da bateria que ela, em parceria com o amigo André – o mestre, claro – ajudou a imortalizar.
 
    BATE-PAPO  
Nome: Elza da Conceição Soares.

Data de nascimento: Não tenho.

Idade: Não revelada.

Signo: Leão.

Local de nascimento: Padre Miguel.

Bairro onde mora: Copacabana.

Namorando ou ficando?: - Casada, com o Bruno, desde que nasci.

Filhos? - Sim, vários, são 9.

Cor: A carne mais barata do mercado é a carne negra.

Time: - Flamengo.

Animal de estimação: - Um bom cachorro. Mas crio cachorro e uma cabra.

Livro: - Qualquer um da Florbela Espanca.

Filme: - "Cor púrpura"

Um homem: - Bruno.

Uma mulher: - Eu.

Religião: - Espírita, praticante.

Novela: Não vejo.

Um Samba: - “Festa do Divino” (Mocidade Independente de Padre Miguel, 1974).
Grife: - Santa Ephigênia.

Não usa nunca: - Drogas.

Perfume: - Dolce Gabanna.

Não sai de casa sem...: - Uma boa oração.

Ator: - Vários. Prefiro ficar com vários.

Atriz: - Letícia Sabatella e Glória Pires.

Cantor: - Luiz Melodia e Emílio Santiago.

Cantora: - Eu.

O que eu quero: - Ser feliz.

O que eu não quero: - Ser infeliz.

Gosta de ir: - Pra casa e pra minha cama.

Não gosta de ir: - Onde tem muvuca e fofoca.

Programa de TV: - Um bom filme.

Carro: Tendo roda e andando, tô dentro.

Escola de coração: - Mocidade Independente de Padre Miguel.

Ser madrinha de bateria é: É ter respeito por uma sinfônica de couros.
 
 
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